Caminhos

Brincando com os espaços
Descobrindo os caminhos
Preenchendo os vazios

A criança estará, através dos desafios destes desenhos, pondo-se em movimento.

Em cada página ela encontrará um traçado diferente que proporá movimentos em várias direções.

O dedo, o lápis, o pincel e os mais variados instrumentos poderão ser utilizados para estas atividades.

Sem pressa
Devagarinho
Com a mão direita
Com a mão esquerda

Com as duas mãos, a criança experimentará caminhar pelos espaços que cada traço propõe.

O “certo” e o “errado” não importam.

Importa, sim, iniciar o movimento através dos espaços ir descobrindo os meios de continuá-lo.

No verso de cada página uma ou duas “setas” indicarão o ponto de partida de um movimento mais solto, onde a criança comporá seu próprio traçado. Esta atividade poderá inclusive ser feita com os olhos fechados, permitindo que sua mão vá escorregando livremente sobre o papel.

Tendo uma criança completado as atividades da frente e do verso de uma prancha, ela poderá vir a utilizá-la de novas maneiras através da pintura, do desenho, do recorte, da colagem e outros.

A escolha desses outros usos deverá ficar sempre a critério da própria criança que completou o bloco.

Nas pranchas de serie “Caminhos” você encontrará uma graduação das atividades começando da mais simples para a mais complexa, englobando movimentos retilíneos e sinuosos.

A ausência da ordem escrita sobre cada atividade é proposital, uma vez que uma das preocupações básicas deste material é permitir que a criança interprete, à sua maneira, cada página antes de iniciar o movimento de “Caminhar”, descobrindo o que está sendo proposto nos exercícios.

A possibilidade que este material dá à criança de ela mesma fazer esta descoberta libera o adulto de uma atitude diretiva, permitindo que ele fique mais atento a três aspectos importantes:

• à “leitura” que a criança foi capaz de fazer do exercício;
• ao “como” ela executou a atividade;
• aos novos “desafios” que possam surgir a partir da atividade já desenvolvida.

Novos Caminhos

Caminho 4 e Caminho 5

Caros Educadores,

publicamos anteriormente, os Caminhos 1, 2 e 3. Agora estamos disponibilizando os Caminhos 4 e 5. Nas pranchas de série “Caminhos” você encontrará uma graduação das atividades, começando da mais simples para a mais complexa, englobando movimentos retilíneos e sinuosos.

Há alguns anos temos experimentado, com resultados positivos, a iniciação das crianças nos movimentos que antecedem ao ensino da escrita propriamente dita. Sabemos que o desenho livre, as brincadeiras, a pintura, a modelagem com argila, as construções com madeira, a tecelagem e outros tantos fazeres próprios desse período de desenvolvimento, têm relação direta com o processo de amadurecimento sensível e cognitivo das crianças.

Ao se aproximar, por volta dos quatro anos, a necessidade de escrever seu próprio nome, que brota espontaneamente delas, pensamos em alguns exercícios que possibilitassem diferentes movimentos, envolvendo a aprendizagem motora fina própria da escrita.

Refletindo sempre sobre a qualidade do material que devemos dispor para as crianças, pensamos em fortalecer o contato delas com um desenho que fizesse parte das matrizes da nossa cultura e tivesse um valor estético. Encontramos nos desenhos das cestarias, da cerâmica e das pinturas corporais indígenas e africanas, um rico material, que além de nos inspirar a produzir estas pranchas nos levou ao reconhecimento da importância de estarmos atentos à beleza dessa arte que brota do contato do homem com a natureza.

As pranchas do Caminho 4 foram inspiradas, em sua maioria, no grafismo do povo indígena Kadiwéu. Os Kadiweú são os últimos remanescentes no Brasil do grupo linguistico Guaikurú, e também a última tribo dos famosos Mbayá-Guaikurú, que se tornaram muito conhecidos como os índios cavaleiros, pois foram os primeiros nativos a dominarem a montaria e resistiram bravamente à invasão do europeu. Tornaram-se muito conhecidos pela sua arte, em especial a pintura corporal, de riqueza e complexidade admiráveis. Tamanha é sua importância que foram objetos de estudos de Darcy Ribeiro, um dos maiores antropólogos brasileiros, de Claude Levi-Strauss e Guido Boggiani, dois outros importantes antropólogos internacionais, entre outros. Seus remanescentes vivem hoje na região ao sul do pantanal mato-grossense.

Referência bibliográfica: Kadiwéu de Darcy Ribeiro.

O Caminho 5 foi inspirado nos símbolos africanos- adinkras. O conjunto desses símbolos, chamados adinkras, formam um sistema de preservação e transmissão dos valores acumulados pelos akan – grupo cultural presente no Gana, Costa do Marfim e no Togo, países da África do Oeste. Cada símbolo está associado a um provérbio ou ditado específico, enraizado na experiência dos akan. Pode-se dizer que esses símbolos são um tipo de escritura pictográfica, utilizada amplamente no cotidiano dessa sociedade e que está presente nos tecidos, cerâmica, arquitetura e em objetos de bronze. Da mesma maneira que os documentos escritos materializam a história nas sociedades ocidentais, em muitas culturas africanas é a arte que traz o conhecimento do passado até o presente.

Referência bibliográfica: Site da Casa das Áfricas: http://www.casadasafricas.org.br/adinkras/